quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Aprender é Natural!

O que é o método Natural de ensino?

Nesse método de ensino, o aluno é o foco principal dentro da aprendizagem. Sabemos que a criança é um ser integral, em que desempenha papéis diferentes na sociedade e que precisa estar inserido de forma que se torne um indivíduo crítico e democrático. 

Além disso o professor é visto como um facilitador e não um impositor, já que não traz em suas abordagens teorias finalizadas, pois disponibiliza a discussão sobre seus saberes e também os saberes dos alunos para que juntos possam construir e reconstruir conhecimentos. 


No método Natural a criança é respeitada em sua individualidade e tudo é facilitado a partir de sua curiosidade e dos estímulos vivenciados na escola. 

Onde os adultos veriam uma simples brincadeira com blocos de montar, o método Natural enxerga muitas aprendizagens inseridas nesse ato tão comum do dia a dia deles, como por exemplo: aprendem a identificar a diferença de grande e pequeno, largo e fino, alto e baixo, além de desenvolverem a coordenação motora.


Todo o ambiente é diferenciado, os objetos de estímulo estão ao seu alcance. Os móveis, cestos de brinquedos, cantinho da leitura, instrumentos musicais, estão a disposição da criança. Mesas e cadeiras são posicionadas em forma circular onde todos possam estar inseridos no mesmo contexto. 


Além de ser valorizado o contato com a natureza, com os animais, onde as crianças possam ser de fato crianças e terem espaço para correr, pular, brincar e também onde estão o tempo todo interagindo socialmente, assim ela terá uma aprendizagem real e integral. 


"O método natural busca promover um clima de interação afetivo-social, que é essencial ao estímulo do desenvolvimento de cada um e de todos. Dessa forma, a arte é compreendida como um meio de educar de forma integral, saudável e harmoniosa, valorizando sempre a criatividade e a livre expressão."


A criança não só aprende de forma natural questão importantes como também aprende a ser autônoma, crítica, democrática e afetiva, o que ao meu ver, são bases importantíssimas para a formação do Ser integral. 

"Gilda Rizzo, em seu artigo Alfabetização Natural (1988), nos ensina que: A Escola Natural é uma escolha inteligente de pais que acreditam que seu filho saia mais fortalecido e seguro pela apropriação do conhecimento construído por ele mesmo, do que se tivesse apenas memorizado e tem certeza que a democracia, assim como delicadeza, não se aprende decorando frases copiadas do quadro de giz, mas sim aprende vivendo democraticamente. São pais que desejam construir uma sociedade futura efetivamente democrática composta por cidadãos democráticos, seus filhos, criados em regime democrático, dentro de sua sala, dentro do espaço escolar, inseridos no seu grupo. Pais que esperam isso da educação de seus filhos. (RIZZO, 1988, p. 24)"


Para fins de conhecimento e comparação, gostaria de abordar o exemplo da Finlândia, um países que até a década de XX tinham um dos piores resultados na área da educação, mas para a surpresa dos próprios Finlandeses, em 2001 eles assumiram o primeiro lugar no ranking mundial nos domínios acadêmicos do PISA ( sigla em inglês que significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), e até os dias atuais permanece entre os destaques membros do clube.

E o que isso teria a ver com a Metodologia Natural? 

Através da pesquisa que fiz em alguns artigos e matérias, percebi que o modelo que os Finlandeses adotaram e que foi o pontapé inicial para tais mudanças, são os mesmos contidos no Método Natural... 

Dois Paradoxos do Modelo de Educação da Finlândia: 

Paradoxo 1: Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos

Trata-se, à primeira vista, de um enigma digno da Esfinge de Tebas: os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares – e está dando certo. O aparentemente ensandecido receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula, e limitar testes e provas escolares a um mínimo tolerável. 

Na lógica do modelo finlandês, o papel central da educação pública não é criar indivíduos robotizados, e sim educar cidadãos dotados de espírito crítico e capazes de pensar de forma independente. 

Paradoxo 2: Os alunos aprendem mais quando têm menos provas e testes

Seu sistema educacional não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade. Apesar disso, a Finlândia brilha nos rankings globais de educação, ao lado dos países com melhor desempenho escolar do mundo. 

A filosofia finlandesa é de que o foco principal dos professores deve ser ajudar os alunos a aprender sem ansiedade, a criar e a desenvolver a curiosidade natural, e não simplesmente a passar em provas. 

No modelo finlandês os alunos são preparados pela escola para atuar de acordo com suas necessidades na vida real e não para atender ao que uma banca internacional entende como sendo necessário para os jovens em determinada faixa etária. 


"Para entender como os finlandeses abordam a educação, é importante mudar o nosso vocabulário desde o início: os professores na Finlândia nos corrigiriam se disséssemos que “ensinamos nossos alunos a resolver problemas” ou “os estudantes aprenderam muito de mim na aula”. Aqui começa uma significativa mudança de paradigma: a palavra “professor” (e seu equivalente em inglês e em finlandês) oculta uma referência a um ato quase impositivo, como aquele que “professa” unilateralmente; por isso, já fora substituída (principalmente em países de influência anglófona) por “facilitador”. As escolas finlandesas depuraram essa nomenclatura ainda mais e denominam seus docentes “conselheiros” ou “coaches” (líderes)."

A Finlândia ostenta, no século XXI, um dos melhores índices de desenvolvimento humano (IDH), de acordo com levantamentos feitos pela ONU.

Relatórios do PISA indicam que apenas 7% dos alunos finlandeses sentem-se ansiosos ao estudar matemática. Já no rígido sistema de ensino do Japão, que ostenta altos níveis de desempenho escolar enquanto registra recordes de suicídio entre estudantes, esse índice chega a 52%.

Além das questões abordadas a respeito do modelo de educação na Finlândia, o espaço físico também é algo voltado para a criança e para o estudante, oferecendo um ambiente acolhedor e confortável, facilitando o estímulo as aprendizagens necessárias à cada faixa etária. 


"Emília Ferreiro, que foi aluna de Piaget, ampliou a teoria para o campo de escrita e leitura e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que o ambiente seja estimulante para o contato com letras e textos."

A criança que cresce dentro de um ambiente acolhedor e sabe que é parte integrante de todo o contexto escolar, e que suas inquietações e curiosidades serão trabalhadas de forma lúdica e agradável com certeza terá mais chances de adquirir conhecimentos mais específicos e complexos no futuro. 

Assim poderá será autor de toda a sua trajetória de forma consciente, sabendo respeitar o próximo e também conhecendo bem os seus diretos e deveres.











      


Priscila Camacho