quinta-feira, 9 de março de 2017

Apoiando a autonomia da criança

Existe um texto muito lindo chamado "Mãe desnecessária de Dalai Lama" e para mim a frase que mais o resume é: "Ser desnecessária é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes".


                         


Quando paramos para refletir nesse trecho, percebemos o quanto é importante para nossos filhos que nos tornemos desnecessárias com o passar do tempo. E isso é possível, quando damos a eles pequenas autonomias em seu dia a dia. Normalmente as crianças curtem muito o "eu sei fazer sozinho" e ficam de fato felizes com cada uma de suas conquistas. 
Costumo dizer que as crianças tem um potencial que na maioria das vezes não enxergamos, seja por medo ou até mesmo por acharmos que não conseguirão sem a nossa ajuda. Aí que que enganamos, eles só estão esperando de nós uma chance... 





Quando damos autonomia ao nossos filhos de alguma forma eles entenderão que confiamos neles e isso também será um grande motivador para a realização de determinada tarefa, que por muitas vezes eles mesmo nem sabiam que poderiam realizá-las.
Precisamos preparar nossos pequenos para o futuro pois eles serão os verdadeiros responsáveis para que o nosso mundo seja melhor e para isso precisamos fazer a nossa parte. 


Então vamos para nossas dicas...







10 Dicas para estimular a autonomia do seu filho:


  1. Mostre para ele o quanto você acredita no potencial dele;
  2. Deixe ele mesmo organizar os brinquedos depois que acabar de brincar;
  3. Sempre que possível encoraje-o a comer sozinho;
  4. Peça que jogue algo no lixo;
  5. Incentive-o a pegar ou guardar os seus sapatos;
  6. Deixe ele ajudar em alguma tarefa da casa, mesmo que você saiba que terá que refazer depois rs;
  7. Peça que ajude na hora de você colocar as roupas nele;
  8. Incentive-o a colocar a roupa na maquina de lavar ou por exemplo no local onde costuma colocar roupas sujas;
  9. dependendo da idade deixe que ele mesmo lave alguma louça (de preferência algo que não quebre e que também não ofereça perigo para ele);
  10. Deixe ele ajudar no preparo de algum alimento (um bolo por exemplo).

Esse estimulo pode acontecer desde de cedo, quanto antes a criança for acostumada a ter confiança em realizar algumas tarefas sozinha, mais fácil será para ela conseguir conquistar tarefas mais difíceis no futuro, e quanto a nós mães, aos pouco nos tornaremos "mães desnecessárias" e nossos filhos serão seguros e confiantes no potencial deles e saberão que sempre estaremos ali para apoiá-los e estimulá-los sempre.

Para finalizar o texto de hoje, temos uma linda contribuição da nossa querida Psicologa Adriana de Oliveira Cunha que fez para nós com todo seu carinho...


"Na minha vida profissional e pessoal vivo essas palavras. Como terapeuta, ao longo dos anos, pude vivenciar como sou transitória na vida dos meus pacientes, mas também vejo como os auxilio a construir pontes que os levarão adiante. Como mãe,  também aprendi a ser primordial, mas transitória na vida dos meus filhos. Lembro quando minha filha se recusou a comer pela primeira vez. Liguei para minha mãe aos prantos ( pois é, psicóloga também chora)!
Minha mãe me disse calmamente :" Forre o chão e deixe que ela come sozinha! " Assustada, suspirei e aceitei a sugestão. 
Minha filha comeu tudo, ela só queria fazer sozinha!  Liguei para a minha mãe e ela me disse:" Que bom, ela já não precisa mais tanto de você, parabéns! "
Confesso que chorei mais um pouco, mas entendi que minha filha respondeu ao que eu esperava dela, ao meu trabalho de torna-la independente e que aquela, era só a primeira etapa do crescimento e do meu processo de me tornar desnecessária, mas primordial na vida dela, como a minha mãe. Sofri ao ver que toda a culpa que senti por colocar tão cedo na creche, não ir à todas as reuniões,  não dar 100% aos filhos, fluir com esse gesto de independência do meu bebê. Percebi que estar presente nas conquistas ao invés de sufocar, orientando, mediando comportamentos e sentimentos, ajudando-a a traduzi-los, estava me tornando uma mãe consciente que não podemos ser 100% em tudo, me fez secar o pranto e sorrir ao ver minha filha crescendo. Feliz mês da Mulher!"




Por
Priscila Camacho








    

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